terça-feira, 30 de junho de 2009

Brasil: Tigre científico latino?

O colega José Augusto Aranha (Poli-USP) me enviou um artigo de Phil Baty no The Times Higher Education bastante interessante. Trata da situação da C&T no Brasil.

Olhe o que está escrito:

“Europe and the US could be sidelined if they fail to form research alliances with Brazil, writes Phil Baty”

“This is the warning from a study, The New Geography of Science, due out in July. Focusing on Brazil, it warns that established research powers remain "ignorant at their peril" of the growing strength of the Latin American giant, and will suffer economically if they fail to forge research alliances.”

Oh my god! Are they really talking about us?

or

just kidding?....


Leia mais.


Fator de Impacto: Perigo na avaliação individual de pesquisadores

Há bastante tempo o fator de impacto (FI) das revistas é um índice extremamente utilizado na avaliação de desempenho de pesquisadores. Cada ano a Thomson Reuters utiliza a sua base (cerca de 9.000 revistas científicas) para calcular o número de citações recebidas pelos artigos publicados em cada revista nos últimos dois anos. O fator de impacto é a média de citações dos artigos da revista (total de citações recebidas / número de artigos publicados). As revistas gerais de grande prestígio e as revistas que publicam revisões chegam a ter FI de 40.

Pouco antes de saber da divulgação dos novos cálculos de fatores de impacto com os dados de 2008, recebi msg de George dos Reis relembrando o editorial de Kai Simons na Science: “The Misused Impact Factor” (Science 10 October 2008: Vol. 322. no. 5899, p. 165; DOI: 10.1126/science.1165316). Merece uma leitura atenta. Ele alerta para as manipulações:

“review articles are more frequently cited than primary research papers, so reviews increase a journal's impact factor. In many journals, the number of reviews has therefore increased dramatically, .... Many journals now publish commentary-type articles, which are also counted in the numerator.”

e usos inadequados do FI

“governments are using bibliometrics based on journal impact factors to rank universities and research institutions. Hiring, faculty-promoting, and grant-awarding committees can use a journal's impact factor as a convenient shortcut to rate a paper without reading it. Such practices compel scientists to submit their papers to journals at the top of the impact factor ladder, circulating progressively through journals further down the rungs when they are rejected. This not only wastes time for editors and those who peer-review the papers, but it is discouraging for scientists, regardless of the stage of their career.”

e cita métodos alternativos em uso:

“The Howard Hughes Medical Institute is now innovating their evaluating practices by considering only a subset of publications chosen by a scientist for the review board to evaluate carefully.

...

publishers are exploring new practices. For instance, PLoS One, one of the journals published by the Public Library of Science, evaluates papers only for technical accuracy and not subjectively for their potential impact on a field.”

Em reposta à e-msg de George, Rafael Linden cita uma limitação para os métodos propostos por Simons:

“... já tinha lido o texto do Kai Simons, é muito bom e acho que todos concordamos com ele. Mas ainda está longe do que precisamos, que são alternativas reais de avaliação em massa. Quando se trata de avaliação em pequena escala, por exemplo um concurso, dá para usar um sistema que tornasse rotina o envio com antecedência de, digamos, os 3 artigos que o candidato considera seus melhores, comentados pelo candidato, para leitura pela banca, seguido de palestras com arguição, etc. A banca pode julgar não apenas o conteúdo do artigo, mas verificar se o trabalho ou o quanto do trabalho foi feito no país ou no exterior, se é resultado de pós-doc ou pesquisa independente, qual a contribuição do candidato ao artigo, qual o significado do trabalho na área e perante a produção científica do laboratório de origem e o papel dos demais autores . Em concursos com meia dúzia de candidatos isso seria um método decente de avaliação.

O problema está em 2 ou 3 membros de um comitê julgarem 300 projetos em uma semana, 3 ou 4 vezes por ano. Os avaliadores devem ter um grau de liberdade que lhes permita escapar da numerologia e, caso pertinente, desconsiderar os indicadores quantitativos, mas não conseguirão avaliar direito a massa de projetos se não houver um filtro preliminar.”

A cautela no uso do fator de impacto se aplica para qualquer indicador. A sua utilização adequada exige conhecimento do que ele realmente significa e das suas limitações. Além disto, é necessário avaliar bem se o indicador é apropriado à finalidade na qual se emprega. Algo que foi desenvolvido como indicador para revistas não se aplica automaticamente para indivíduos. Voltaremos ao tema do fator de impacto, pela importância que ele assumiu na comunidade científica.


domingo, 28 de junho de 2009

Financiamento à pesquisa: Excesso de cautela?

Artigo de hoje do NYT (Playing It Safe in Cancer Research) comenta sobre o fato do sistema de financiamento favorecer as idéias que não mudam muito o que já se conhece.

Há muita coisa que nem precisava ser feita, como já comentamos aqui em outro tema:

“Among the recent research grants awarded by the National Cancer Institute is one for a study asking whether people who are especially responsive to good-tasting food have the most difficulty staying on a diet. Another study will assess a Web-based program that encourages families to choose more healthful foods.”

e outras que não avançam muito:

“... one project asks whether a laboratory discovery involving colon cancer also applies to breast cancer. But even if it does apply, there is no treatment yet that exploits it.”

O gasto não é pouco na pesquisa em cancer (o National Cancer Institute investiu USD 105 bilhões desde 1971 e a American Cancer Society USD 3,4 bilhões desde 1946), mas levou a pouca alteração da mortalidade nestes 40 anos.

Um fator limitante, segundo os cientistas ouvidos, é o próprio sistema de financiamento por projetos. O sistema teria se tornado um sistema de emprego, uma forma cômoda de manter o funcionamento dos laboratórios, através de pequenos financiamentos com pouca probabilidade de avançar na cura do cancer.

“These grants are not silly, but they are only likely to produce incremental progress,” said Dr. Robert C. Young, chancellor at Fox Chase Cancer Center in Philadelphia and chairman of the Board of Scientific Advisors, an independent group that makes recommendations to the cancer institute.”

O problema central é o fato que os projetos com maior chance de grande avanço representam um risco grande e o sistema é voltado para minimizar risco. “it has become lore among cancer researchers that some game-changing discoveries involved projects deemed too unlikely to succeed and were therefore denied federal grants,...”. Um exemplo é o HER-2 (que apresenta múltiplas cópias nas formas agressivas de cancer de mama) que levou ao desenvolvimento da herceptin (bloqueia HER-2). A proposta inicial foi negada pelo sistema federal. O financiamento foi feito pela Revlon, pela intervenção de paciente.

A mensagem importante, dada por Raynard S. Kington, diretor em exercício do National Institutes of Health, é que o sistema está voltado para remover as propostas muito ruins, mas que desincentiva as propostas realmente transformadoras.

Leia mais.


Stand by me

João Santana enviou a indicação de uma música em vídeo excelente. Uma demonstração de arte e de tecnologia ao redor do mundo.

Demonstra como temos utilizado pouco a tecnologia de comunicação à distância para os nossos esforços de ciência no Brasil.

Confira:




"Stand by Me"

Made a meal and threw it up on Sunday I've -

Gotta lot of things to learn

Said I would and I'll be leaving one day -

Before my heart starts to burn


(Bridge)

So what's the matter with you?

Sing me something new... don't you know

The cold and wind and rain don't know

They only seem to come and go away


Times are hard when things have got no meaning

I've found a key upon the floor

Maybe you and I will not believe in the things we find

Behind the door


(Chorus)

Stand by me - nobody knows the way it's gonna be

Stand by me - nobody knows the way it's gonna be

Stand by me - nobody knows the way it's gonna be


If you're leaving will you take me with you

I'm tired of talking on my phone

There is one thing I can never give you

My heart can never be your home


Song originally performed by Ben E. King and written by Ben E. King, Jerry Leiber and Mike Stoller.


sábado, 27 de junho de 2009

Inscrições para o Prêmio PP-SUS 2009

Estão abertas as inscrições para a edição 2009 do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS, que distribuirá R$ 55 mil em prêmios para cinco categorias:

· Tese de Doutorado – R$ 15 mil

· Dissertação de Mestrado – R$ 10 mil

· Trabalho Científico Publicado – R$ 10 mil

· Monografia de Especialização/Residência – R$ 5 mil; e

· Incorporação de Conhecimentos Científicos ao Sistema Único de Saúde – R$ 15 mil.

A categoria Incorporação de Conhecimentos Científicos ao Sistema Único de Saúde foi instituída em 2008, em comemoração aos 20 anos do SUS, e premiará com R$ 15 mil trabalho inovador que tenha sido incorporado ao SUS.

Podem efetuar inscrição pesquisadores, estudiosos e profissionais de saúde ou de qualquer área científica com trabalho aprovado em banca, ou publicado no período de 15 de julho de 2008 a 24 de maio de 2009, com temática voltada para a área de Ciência e Tecnologia em Saúde.

Para participar, preencha o formulário on-line, disponível até 10 de julho. Não deixe para o último dia!

Leia o edital na íntegra.

Mais informações: decit.premio@saude.gov.br

Magrinhos tremei!

Nós gordos já estamos acostumados ao terrorismo da ciência e amplificado por todo tipo de midia. Os males do excesso de peso já são quase um mantra há algum tempo. Agora o grupo dos magros também começa a ser ameaçado.

Um estudo recente do Lancet “Body-mass index and cause-specific mortality in 900 000 adults: collaborative analyses of 57 prospective studies”, dá o alerta:

“...BMI is in itself a strong predictor of overall mortality both above and below the apparent optimum of about 22·5–25 kg/m2.”

Com estes números de 900.000 pessoas e 57 estudos prospectivos é difícil discutir.

A ditadura da média:

Os que ficam acima aumentam o risco de doença vascular e os que ficam abaixo aumentam o risco de doenças respiratórias.

Não dá para dizer faça a sua escolha....


Ilustração: O Gordo e o Magro, agora em barcos separados, mas indo para a mesma cachoeira.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nem sempre o mais caro é melhor

Vejam o gráfico de gastos em saúde per capita (deve-se multiplicar por mil) em 2007 em diferentes países e na OECD. Os EEUU gastam mais que o dobro da média da OECD, no entanto a mortalidade infantil em foi de 6,7 por mil nos EEUU e de 4,0 na OECD.

Veja o texto completo no Economist.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Segurança no cyberespaço

Virgilio Fernandes Almeida, Professor Titular do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, publicou artigo na Folha de S. Paulo, em 18/6, sobre a segurança no cyberespaço brasileiro. Recentemente tratamos desta questão num post. O artigo mostra que precisamos estar atentos ao tema.

“Milhões de americanos têm sido vítimas de golpes na Internet, onde informações sobre indivíduos, contas bancárias e investimentos têm sido capturados por organizações criminosas que atuam no ciberespaço e que nos últimos dois anos causaram prejuízos superiores a oito bilhões de dólares.”

“O Brasil não tem políticas claras a respeito de potenciais ataques ao seu ciberespaço, que engloba suas redes de comunicação, sistema financeiro, redes elétricas e outros recursos informacionais. A questão da segurança do ciberespaço deve ser debatida ampla e abertamente, pois envolve interesses de diferentes grupos da sociedade e governo, onde eventualmente interesses governamentais e corporativos podem entrar em choque com as garantias individuais e liberdades civis dos cidadãos.” veja o artigo completo.

Para mim, a questão ainda não está clara. É necessário prevenir o risco de crimes no cyberespaço, mas quanto precisaremos abdicar da liberdade neste terreno?

Cientistas americanos presos no Mato Grosso do Sul

Três cientistas americanos foram presos a semana passada quando faziam extração de sedimentos minerais em lagoas do pantanal.

O caso está bastante complicado, pois não há um convênio ou acordo formal com a UNESP. Dois estudantes brasileiros de doutorado que estavam com os americanos pagaram fiança e estão em liberdade.

A Folha de SP diz: “Os pesquisadores foram indiciados pelos crimes de usurpação ou exploração de matéria-prima pertencente à União e execução de pesquisa de recursos minerais sem autorização.” mais...

Isto deve servir de alerta para registrarmos adequadamente as colaborações internacionais e checar a legislação (que não é simples) em relação à coleta de material.


Ilustração.

São João

O dia de São João é hoje, mas a festa já foi ontem.

Para os que sobreviveram e ainda aguentam ouvir forró, vai abaixo um video clip do filme “Chega de Saudade” com a música “Você não vale nada, mas eu gosto de você”. A qualidade da imagem não está muito boa, mas o som está bom.

Vídeo-clipe da música 'Você não vale nada mas eu gosto de você" - trilha sonora do filme Chega de Saudade, dirigido por Laís Bodanzky. A música de autoria de Dorgival Dantas, interpretada pela Banda Luar de Prata com Elza Soares e Marku Ribas. O filme Chega de Saudade estréia nos cinemas no dia 21/03/2008 e conta, numa única noite, várias histórias vividas pelos freqüentadores de um salão de baile. Com muita música e dança, os acontecimentos fazem o espectador se sentir dentro da vida pulsante do baile. No elenco Tônia Carrero, Leonardo Villar, Betty Faria, Cássia Kiss, Stepan Nercessian, Paulo Vilhena, Elza Soares e Marku Ribas. Edição: Rodrigo Menecucci; Produção musical: BiD; Pós-produção e finalização: Helena Maura.


Ilustração: Detalhe da tela Forró de João Werner (50x70 cm; óleo sobre tela, 26 de novembro de 2004



terça-feira, 23 de junho de 2009

Sugestões para resolução de problemas com ANVISA e CONEP

Nos últimos meses ocorreram algumas reuniões da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia Nacional de Medicina (ANM) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), para que se tente resolver em conjunto problemas relacionados à pesquisa clínica que tanto nos afligem.

Em reunião no final de maio em Porto Alegre, o Acadêmico Rubens Belfort Jr., o especialista em Bioética da José Roberto Goldim (UFRGS), o médico cardiologista Carlos Gottschall (UFRGS), e a presidente da Conep, Dra.Gisele Tanos, chegaram a um acordo que prevê a apresentação por parte dos cientistas de uma lista de gargalos e problemas específicos relacionados a Conep, bem como sugestões para resolvê-los.

Caso tenham sugestões, anotem nos comentários e os transmitirei à Academia Brasileira de Ciências. Por favor, não confundam com o muro das lamentações, queremos SUGESTÕES.

Ilustração: Labirinto

O custo de publicação de um artigo científico

Recentemente, discutimos aqui os perigos do pagamento dos custos de publicação pelo autor. Artigo recente (13/06) de Wanderley de Souza publicado no Jornal do Brasil trata do tema do pagamento de artigos.

"A cada ano aumenta o número de artigos científicos publicados nas mais variadas áreas do conhecimento. ...

Muitas vezes nos deparamos com o dilema entre publicar em uma revista clássica da área e conhecida por todos, mas que tem menor índice de impacto, ou por uma nova e que já conta com índice maior. Acresce ainda o fator econômico, uma vez que existem hoje, pelo menos, três tipos de revistas.

Primeiro, as publicadas por grandes editoras tradicionais, .... Estas não cobram pela publicação e muitas vezes ainda oferecem algumas cópias do artigo ou a sua versão em pdf. O segundo tipo de revista é, em geral, publicado por associações científicas, contam com elevado prestígio e cobram valores variáveis, algo em torno de US$ 80 por página. O terceiro inclui as revistas exclusivamente on-line e de livre acesso, mas que cobram do autor valores que vão de US$ 800 a US$ 3 mil a título de manutenção do sistema de livre acesso. ...

A Wellcome Trust, importante agência inglesa, obriga a que o artigo seja disponibilizado gratuitamente tão logo seja publicado. Para isto, libera recursos ao pesquisador, da ordem de US$ 3 mil por artigo, no sentido de que tal regra seja cumprida. Com isto, estes artigos poderão ser lidos por um número maior de pesquisadores, objetivo principal de todos os autores.

Esta política aumenta a chance de que um determinado artigo tenha maior impacto, seja mais citado por outros autores e, com isto, aumente o prestígio da revista que o publicou. No Brasil, as agências ainda não fixaram uma política em relação às publicações científicas. No entanto, isto é uma questão de tempo, uma vez que regulamentar a publicação de artigos científicos pelas agências que os financiam é uma tendência mundial." Leia o artigo completo.

domingo, 21 de junho de 2009

Forró de São João ou Forrobodó no senado?

Forró vem de far all ou de forrobodó? A explicação que vem de for all, a partir da designação dada pelo ingleses da estrada é interessante, mas não é correta. A palavra aparece em registros escritos antes da chegada dos ingleses para a construções das railways. A primeira atestação de “forrobodó” parece ser de 1882.

Forrobodó é, também, uma opereta com texto de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt e música de Chiquinha Gonzaga de 11 de Junho de 1911. mais.

Tarik de Souza, citando Câmara Cascudo registra:

“O nome forró deriva de forrobodó, "divertimento pagodeiro" .... Tanto o pagode (que hoje designa samba) como o forró são festas que foram transformadas em gêneros musicais. O forrobodó, "baile ordinário, sem etiqueta", também conhecido por arrasta-pé, bate-chinela ou fobó, sempre foi movido por vários tipos de música nordestina (baião, coco, rojão, quadrilha, xaxado, xote) e animado pela pé de bode, a popular sanfona de oito baixos.”

Marta Bellini, também citando Câmara Cascudo (Dicionário do Folclore Brasileiro, 5.ed. rev. e aum. São Paulo: Nacional, 1967, s.v.), diz que “É possível que “forrobodó” tenha nascido no Nordeste ... tinha uma conotação original de desprestígio social, porque “nele tomam parte indivíduos de baixa esfera social” e, no Ceará, era um “baile de canalha”.

Ela também cita “Macedo Soares, no seu Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa (MEC/INL, 1954, vol. I – 1955, vol. II), acredita que “forrobodó” seja uma corruptela de “farrobodó”, de mesma raiz “far-“ de “farrundu” (variante: furrundu), que designa “dança rasgada, ruidosa, sem preceito, desordenada (s.v. furrundu). ... No “Vocabulário e fraseologia”, glossário que compõe a segunda parte do seu livro Dinâmica de uma Linguagem (sobre o falar de Alagoas) (Maceió: Universidade Federal de Alagoas, 1976), Paulino Santiago registra o verbete “forró”, socialmente estigmatizado, com o significado de “frouxo, lasso, relaxado, com particular referência às prostitutas”

Neste passo, chegamos ao nosso senado com o post Forrobodó no Senado do blog de Nassif:

“Já vi político esconder
Castelo e bela mansão
Já vi escondendo dólar
Na cueca e no calção
Já vi político negando
E sob pressão jurando
Que nunca andou de avião

...

Pensava ter visto tudo
Do nosso velho Congresso
Que já pagou hora extra
Nada obstante em recesso
E agora vejo o Senado
Contratando apaniguado
Sem publicar o acesso

Pra liberar hora extra
E aumentar o salário
O Senado Federal
Fez o povo de otário
Quinhentos atos secretos
Foram agora descobertos
Nesse conto do vigário”.

Ilustração.

sábado, 20 de junho de 2009

“Razões do avanço”

Artigo de Jorge Guimarães

“O anúncio do significativo crescimento da produção científica brasileira tem razões e justificativas próprias, embora nem sempre bem conhecidas ou avaliadas. Para qualquer país, a sua produção científica torna-se visível pela publicação de artigos originais nas melhores revistas i nternacionais.

...

Entre 2005 e 2008, o ISI indexou ou reindexou mais 60 periódicos brasileiros. Só em 2008 o ISI incorporou mais 1.228 revistas. Para 2009 haverá incorporação de mais 30 revistas do nosso país. É ainda um número modesto para dar maior visibilidade à ciência brasileira, já que, em muitas áreas, como parasitologia, medicina tropical, bioenergia, entre outras, estamos entre o segundo e o quinto lugar no mundo.” Leia mais.


Ilustração: Share of the number of scientific papers published in major scientific journals by country

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Macacos enganam intencionalmente?

A família reunida na mesa para a refeição. Um parente grita “Incêndio”. Todos fogem apavorados e o “sabido” aproveita para comer sem competição. Não é uma atitude recomendável eticamente. Parecia um comportamento exclusivamente humano, contudo estudo recente com macacos capuchinhos (Cebus apella) mostrou comportamento semelhante.

Segundo este estudo, estes macacos emitem o som usado para alertar contra predadores (algo semelhante como gritar “lobo”) para afastar os demais macacos da comida. Isto é feito preferencialmente pelos animais não dominantes e acontece com maior freqüência quando a comida é escassa. Segundo o autor: "There [was] no apparent reason to give these calls other than to chase the other individuals off the food platform,".


Veja acima a distribuição geográfica dos macacos capuchinhos.


Ainda bem que o estudo não falava nada de serem animais com origem no Brasil. Vejam o alívio:

“In the forest of Iguazá National Park, Argentina, primatologist Brandon Wheeler of Stony Brook University in New York observed ...”

Eles sempre nos salvam....

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quantos falsificam dados científicos?

O artigo How Many Scientists Fabricate and Falsify Research? A Systematic Review and Meta-Analysis of Survey Data de Daniele Fanelli, na PLoS One (29/maio/2009), investiga a freqüência com que cientistas falsificam ou “fabricam” dados. Trata-se de um estudo muito bem feito, uma revisão sistemática e meta-análise de dados de pesquisas de opinião com cientistas.

O resultado é preocupante. Cerca de 2% admitem que falsificaram ou modificaram dados ou resultados. Quando são considerados outras formas de conduta condenável a frequência chega a 33,7% quando são consideradas práticas questionáveis de pesquisa o valor chega a aterrorizantes 72%. A autora escreve: “Considering that these surveys ask sensitive questions and have other limitations, it appears likely that this is a conservative estimate of the true prevalence of scientific misconduct.”

Não é a toa que mais artigos têm sido retirados de revistas. Aldina me mostrou que no ano passado, o Clinical and Experimental Immunology retirou dois artigos do mesmo grupo japonês. Ela procurava artigos sobre níveis séricos de HMGB1 quando viu a Retraction:

“The investigation took more time than we had expected at first because Dr. Matsuyama had published many articles which had to be examined carefully. ... Three articles were recognized to be based on the falsified data by Dr. Matsuyama himself....”

O problema foi grave a ponto do autor cometer suicidio, segundo indicado na retraction: “Unfortunately, Dr. Matsuyama committed suicide early last November”.


terça-feira, 16 de junho de 2009

AI-5 Digital

Confesso que não tenho acompanhado a grande polêmica na rede sobre crimes digitais no Brasil e chamado de AI-5 Digital, mas creio que devemos ficar atentos. Há necessidade de controle e de definição de crimes digitais, o difícil é saber onde estabelecer a linha divisória entre controle de crime e perda de liberdade.

O texto do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi aprovado em julho de 2008 e define os cibercrimes (roube de senhas, pornografia infantil, e.g.), mas acaba excedendo os limites razoáveis. Segundo artigo da Carta Capital “o texto poderá transformar provedores de acesso em centros de espionagem e delação, além de favorecer interesses privados de bancos, fabricantes de softwares e indústrias que sofrem com as transformações precipitadas pela rede, entre elas as gravadoras.”

O texto do senador pessedebista tem sido acusado de haver cedido às exigências dos lobbies de fabricantes de softwares e de direitos autorais. Segundo o artigo, “A inspiração do senador Azeredo é a Convenção de Cybercrimes assinada, em 2001, em Budapeste, na Hungria. ... a convenção não foi assinada por nenhum país latino-americano nem pela maioria das grandes nações em desenvolvimento, como China e Índia.“

A liberdade na internet facilita crimes, mas por está incomodando muita gente que vê risco de perda do seu poder. Os artistas podem se comunicar mais diretamente com seu público e vender seus produtos sem os intermediários. Há muito mais gente escrevendo o que pensa e isto ameaça o poder da grande imprensa. Ou seja, os cibercrimes precisam ser coibidos, mas o momento exige cautela para evitar que junto ao controle dos crimes sejam incluídas medidas voltadas à manutenção do poder de grupos e cuja manutenção não é beneficia a população.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Qualis: a escala da discórdia

Veja o texto de Fabrício Marques na Pesquisa FAPESP (Junho 2009) :

Setores da comunidade científica receberam com críticas as mudanças no Sistema Qualis, ferramenta usada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para classificar os periódicos nos quais os programas de pós-graduação publicam sua produção científica. Enquanto o sistema de categorização anterior dividia os veículos segundo sua circulação (local, nacional e internacional) e a sua qualidade (A, B, C), a nova escala é formada por oito estratos (A1, A2, B1 a B5 e C). O estrato C tem peso zero. A avaliação da qualidade da produção passa a ser medida primordialmente pelo fator de impacto (FI) dos periódicos, independentemente do âmbito da sua circulação. O FI, utilizado como ferramenta de avaliação desde os anos 1960, busca medir o impacto científico de uma publicação levando em conta o índice de citação dos trabalhos publicados em outros artigos. “ Leia mais.

Ilustração: WORLDMAPPER SCIENTIFIC RESEARCH MAP

O movimento de acesso livre em publicações científicas tem crescido. A característica básica deste movimento é a possibilidade de acesso total ao conteúdo dos artigos pela web sem pagamento pelo leitor.

O CNPq apoiou o acesso livre, através de resolução do Conselho Deliberativo, em 2003. O governo americano, a partir do ano passado, obriga a que os artigos financiados com recursos públicos sejam colocados em acesso livre no máximo seis meses após sua publicação. Várias universidades americanas (Harvard e Stanford em algumas escolas e MIT em todas as unidades) têm uma política de acesso livre.

O apoio das instituições ao acesso livre se dá algumas vezes pela inclusão como membro na editora (na PLoS, e.g) e com isto os autores recebem um desconto. Em outros casos, a instituição arca com o custo da publicação junto à editora. Além de instituições acadêmicas, em maio a Pfizer decidiu pagar os custos de autor de seus empregados em publicações na BioMed Central.

De todo modo, fica claro que o acesso é livre, mas a publicação não. Aliás, não poderia ser de outro modo, visto que há um custo em todo o processo que precisa ser assumido. No processo tradicional, os autores pagam uma pequena parte do custo e os leitores assumem o restante. No sistema de acesso livre, o custo é bancado exclusivamente pelos autores.

Uma preocupação no sistema pago pelo autor é a possibilidade que a editora exerça menos rigor e aceite material de menor qualidade, devido à necessidade financeira. Ou seja, que o sistema de pagamento pelo leitor exerça uma influência muito forte sobre a decisão editorial. Lembre que no sistema pago pelo leitor, se a qualidade cair, o interesse pelos artigos diminui e também os lucros. Com o pagamento pelo autor, as receitas não diminuem mesmo que haja queda de qualidade.

Phillip Davis (estudante de doutorado na Harvard) no post Open Access Publisher Accepts Nonsense Manuscript for Dollars no The Scholarly Kitchen, o blog da Society for Scholarly Publishing, relata, em 10/06/2009, que enviou um manuscrito sem sentido para o The Open Information Science Journal da Bentham Science Publishers e o trabalho foi aceito. Após receber várias mensagens-convite para publicação na Bentham Science ele resolveu testar o sistema.

“Using SCIgen, a software that generates grammatically correct, “context-free” (i.e. nonsensical) papers in computer science, I quickly created an article, complete with figures, tables, and references. It looks pretty professional until you read it. For example:

In this section, we discuss existing research into red-black trees, vacuum tubes, and courseware [10]. On a similar note, recent work by Takahashi suggests a methodology for providing robust modalities, but does not offer an implementation [9].”

Ele enviou dois artigos e o citado acima foi aceito, depois de ter sido submetido a revisão por pares (?), bastava que pagasse 800 dólares.

Evidentemente que não se deve generalizar para outras revistas de acesso livre. É possível, também, que o artigo fosse aceito em revistas publicadas no sistema tradicional de pagamento pelo leitor. É certo, contudo, que algumas editoras virtuais perceberam uma forma fácil de lucro com o sistema de acesso livre.

O acesso livre é extremamente importante e deve ser apoiado, mas é preciso exercer bastante cautela - como sempre - na escolha das revistas. Tanto para enviar artigos quanto para ler.


sábado, 13 de junho de 2009

Coisas diferentes

Que tal fazer algo diferente no final de semana? ou programar uma atividade radical para o São João?

Uma dica é imitar Bush (pai) que comemorou seu aniversário saltando de paraquedas (acima).

Outra possibilidade é fazer uma banda para cantar música científica.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Por que os economistas erram tanto?

Post de Sérgio Arruda

A frase não é minha, mas a cada dia se confirma.


Leia o artigo com este título. De novo repetiu, erraram as previsões. O PIB do Brasil caiu somente 0,8%, no primeiro trimestre deste ano. Foi mesmo uma marolinha que chegou ao Brasil, com disse Lula. Comparada a Tsunami em outras praias.


Os economistas mais otimistas previam uma queda maior do que 3. E eles erraram de novo.


Segundo os economistas, a economia brasileira havia entrado na UTI da recessão econômica. Agora os números revelam que nem chegamos a semi-UTI. Diferente de outros países, incluindo Estados Unidos, gerador da crise, e União Européia, que foram e ainda continuam na UTI.


Na prática, muita dessa queda no nosso PIB foi gerada pelo pânico e covardia desnecessária de alguns. Claro que a Bolsa caiu, dos quase 70000 pontos para 44000, mas bolsas de valores vivem e lucram com o pânico, não é economia real.

Hoje a bolsa de SP (iBOVESPA) já recuperou, ficando nos últimos dias acima de 52000.

O Brasil aprendeu e ajustou sua economia após anos de sofrimento e empobrecimento com a inflação. A independência do Banco Central parece ser fundamental para essa estabilidade.


A crise econômica teve origem no sistema financeiro americano e se espalhou pelo sistema bancário internacional.


Diferentemente de outros países onde os caixas ficaram sem dinheiro e os depósitos nas contas zeraram. A exemplo, dos Estados Unidos e Inglaterra, obrigando os governos a cobrir o rombo, emprestando de urgência bilhões aos bancos para garantir os correntistas e evitar a falência.


Por aqui os bancos não se abalaram. E quando foi necessário o Banco Central (BC) liberou os depósitos compulsórios. Essa reserva que o (BC) mantém como garantia, provou ser eficiente em momentos como esses. Mas isso também nem foi tão necessário, pois somente pequenos bancos solicitaram


Lula no auge da crise soltou uma frase de efeito, nós do Brasil, sempre sujeitos a opiniões e conselhos econômicos de organizações estrangeiras, como FMI, Standard Poors e outros que calculam “risco” afirmou ...Os Estados Unidos faliram com risco zero. Talvez você não tenha a real concepção de quanto essas agências influenciaram investimentos e o tamanho dos prejuízos causados aos investidores e também, por anos, ao Brasil. Opiniões de economistas.


Os dados do IBGE revelam que se houve uma “recessão” ela só chegou para uma minoria, pois 60% do PIB é dado pelo setor de serviços que não caiu nos dois trimestres, pelo contrario aumentou. A massa salarial também foi 5,2% maior. O consumo das famílias que caiu 1,8% no final de 2008, agora subiu 0,7%.


Se a discussão dos economistas agora for sobre recessão já passada, confirma apenas que economistas fazem previsões olhando pelo retrovisor.


A economia é real e agora.


O Brasil emprestou U$ 10 bilhões ao FMI, Os juros SELIC foram reduzidos para 9,25%, as menores taxas da história. Temos a inflação controlada.


Temos, sim problemas e ainda muitos a corrigir, mas fazer apologia do quanto pior melhor não deve ser o discurso. Mas se for, vai ficar mal para quem o fizer.


O Brasil vai achando seu caminho. O crescimento econômico é nosso destino, mesmo com tantos obstáculos ainda pela frente.


Se você discorda dessa opinião observe... quantos carros novos, engarrafados pelas ruas, é claro, as construções surgindo de todos os lados, os shoppings e supermercados cheios. Isso é recessão?


Se desejar ouvir conselhos de economistas, tudo bem, mas lembre-se eles erram.


É melhor ler o blog escrito por quem não é economista.


------------------


Texto de Barral

Após receber o texto de Sérgio, enviado ontem, vi o artigo do Economist Ready to roll again (de hoje, Jun 11th 2009) que fala sobre a recuperação do Brasil. Inicia com uma ironia com o governo anterior. Diz que a frase “Nunca antes neste país” usada pelo Presidente irrita mais a oposição porque ele quase sempre está certo.

E termina com:

“... Brazil’s never-before situation is leading to an uncharacteristic outbreak of long-termism. Bradesco, a large bank, has started to offer 30-year mortgages, something that would have been unthinkable a short time ago. Maílson da Nóbrega, a former finance minister, expects lower interest rates to bring a rapid expansion of mortgage finance, which at present amounts to just one percent of GDP.

Good things of this kind could still be delayed by a fresh outbreak of gloom abroad. But the debate is really about when they happen, rather than if—a testament to hard-won progress.”


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Se comer carne, não dirija

Se vocês voltarem ao post sobre Pesquisas inúteis verão que Aldina comentou sobre o papel do gado sobre o efeito estufa. Recebi também comentários, sobre o mesmo aspecto, de Isaac Roitmann e Luiz Hildebrando por e-mensagem. Achei que o tema merecia ser tratado separado de apenas comentários num post sobre aumento de BMI (body mass index).


O artigo Cows Blamed For Greenhouse Effect diz:

“While CO2 emissions have increased by 31% during the past 250 years, methane, which has a higher warming potential and a longer lifetime in the atmosphere, has increased by 149% during the same period, he added.

Methane in the atmosphere was believed to be responsible for one-fifth of global warming experienced since 1750, he pointed out.”

Numa comparação interessante:

“Two hundred cows burp the annual equivalent amount of methane to the energy produced by a family car being driven 111,850 miles, said Dr Andy Thorpe.

The economist, from the University of Portsmouth, explained that the amount of methane produced by a herd was the same as the carbon dioxide (CO2) emissions produced by a car burning 21,400 litres of petrol.”


Assim, para preservar o meio ambiente devemos fazer uma adição às recomendações contidas no post de Camila:

Se comer carne, não dirija.


Ilustração.

Gastos militares batem recorde em 2008

Post de Sérgio Arruda

Os gastos militares totais no ano de 2008 foram de 1.464 trilhões de dólares. Houve um aumento de 45% em relação à década passada. Em relação a 2007 o aumento foi de 4%. Esses dados estão em uma publicação do SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute).


Só os Estados Unidos gastam quase metade dos gastos mundiais com armas. No ano de 2008 esses gastos foram de 607 bilhões. Os responsáveis por esse aumento foram a guerra ao terrorismo e as guerras do Iraque e Afeganistão. Outros países vem também aumentando seus gastos militares. De 1998 a 2007, a China aumentou em 202%, Rússia em 161% e Índia em 64%. Veja PDF do texto do SIPRI.