domingo, 31 de maio de 2009

Quem tem as mãos mais contaminadas? Homem ou mulher?

Post de Sérgio Arruda

É sabido que as mulheres tem mais cuidado e carinho com as mãos do que os homens. Das mais as menos vaidosas, todas de vez em quando vão a manicure para cuidar das unhas e muitas usam creme para deixar as mãos macias. Já os homens não dão grande importância para as mãos.

Sabidamente as mãos são importantes para ambos os gêneros e nosso progresso evolutivo como espécie dependeu muito do uso da mãos, homo habilis.

Dependendo das mãos para quase tudo (trabalhar, comer, e etc) consequentemente as mãos são grandes carreadores de sujeira (bactérias, vírus etc) e transmissão de doenças.

Lavar as mãos é o melhor indicador de higiene pessoal, mesmo médicos precisam ser lembrados de lavar as mãos. Veja artigo. ROTTER M L. Hand washing and hand disinfection. In: MAYHALL C G. Hospital epidemiology and infection control. Williams & Wilkins. Baltimore. 1996; 1054- 69.

Mas afinal quantos tipos de bactérias temos nas mãos e quem tem as mãos menos contaminada. Os homens ou as mulheres?

A resposta já foi publicado no PNAS The influence of sex, handedness, and washing on the diversity of hand surface bacteria

Resumo do artigo:

Bacteria thrive on and within the human body. One of the largest human-associated microbial habitats is the skin surface, which harbors large numbers of bacteria that can have important effects on health. We examined the palmar surfaces of the dominant and nondominant hands of 51 healthy young adult volunteers to characterize bacterial diversity on hands and to assess its variabil- ity within and between individuals. We used a novel pyrosequencing-based method that allowed us to survey hand surface bacterial communities at an unprecedented level of detail. The diversity of skin-associated bacterial communities was surprisingly high; a typical hand surface harbored >150 unique species-level bacterial phylotypes, and we identified a total of 4,742 unique phylotypes across all of the hands examined. Although there was a core set of bacterial taxa commonly found on the palm surface, we observed

pronounced intra- and interpersonal variation in bacterial community composition: hands from the same individual shared only 17% of their phylotypes, with different individuals sharing only 13%. Women had significantly higher diversity than men, and community composition was significantly affected by handedness, time since last hand washing, and an individual’s sex. The variation within and between individuals in microbial ecology illustrated by this study emphasizes the challenges inherent in defining what constitutes a ‘‘healthy’’ bacterial community; addressing these

challenges will be critical for the International Human Microbiome Project.

Outro artigo publicado na Science desta semana traz de novo o tema sobre microrganismos encontrados na pele. Neste não compara as diferenças entre gêneros, mas assusta pelo grande quantidade de microrganismos encontrados. Topographical and Temporal Diversity of the Human Skin Microbiome.

Conclusão.

Diferenças de gênero à parte, todos devemos lavar as mãos com mais freqüência. Se quiser adicionar algum anti-séptico, álcool 70% ou gel tem sido o mais usado em hospitais, mas a remoção mecânica através da lavagem freqüente das mãos parece ser mais eficiente.

TIPOS DE ANTI-SÉPTICOS

ÁLCOOL(60% A 90%): etílico, n-propílico, isopropílico

GLUCONATO DE CLOROHEXIDINA (0,5% c/álcool; 2%; 4%)

IODO E IODÓFOROS (0,05%... 10%; 2%)

TRICLOSAN (0,3%;1%;2%)

PARA-CLORO-META-XYLENOL




Instituto de Investigação em Imunologia iii-INCT. Reunião de pesquisadores 2009

iii Reunião de Coordenadores, 2009


O Instituto de Investigação em Imunologia (iii), um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia realiza de 28 a 30 de maio a primeira reunião de coordenadores nesta terceira etapa como Instituto.

O iii foi formado no programa de Institutos do Milênio, em 2001, e teve sua proposta renovada duas vezes. A mais recente, no final de 2998, integrando o programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do CNPq.


iii Instituto de Investigação em Imunologia - INCT


Reunião de Pesquisadores

Data: 28 a 30/05/2009

Local: Itacimirim, Bahia


Objetivo:

Planejar as atividades do iii de junho 2009 a junho 2010.


Metodologia:

• GTs para elaboração de documento com cronograma preciso para

2009-2010 e planejamento das metas para 2010-2011;

• Planejamento de trabalhos envolvendo mais de um grupo do iii;

• Planejamento de atividades envolvendo os INCTs colaboradores;

• Planejamento de captação de recursos em outras fontes.


Produto a ser obtido:

Documento com:

• cronograma para o período 2009-2010;

• planejamento das atividades e estabelecimento das metas para 2010 e 2011.

I Encontro de Inflamação e Imunidade

Post de Deboraci Prates e Jaqueline Costa

O I Encontro de Inflamação e Imunidade, organizado pelo Dr. Marcelo Bozza no período de 11 a 14 de maio de 2009, teve como enfoque os mecanismos da regulação de respostas imunes e inflamatórias.

O encontro ocorreu no Solar da Imperatriz (Jardim Botânico – RJ) e adjacências (Galpão do Solar onde foi realizada a festa de abertura com um Jazz e Clube dos Macacos onde também ocorreram as mesas de discussão e o encerramento com churrasco e samba). Ao idealizar o curso, o Prof. Marcelo tinha a idéia de trazer algo dinâmico em que os alunos pudessem interagir com os pesquisadores e participar mais efetivamente das discussões. Para tal, estabeleceu-se que ao final de cada palestra os estudantes teriam a prioridade para fazer perguntas e este foi um bom exercício para que os mesmos se sentissem mais a vontade em participar.

O que também foi bastante proveitoso neste encontro, foram as mesas de discussão constituídas por 2 pesquisadores e cerca de 7 alunos. Nestas mesas cada estudante teve a oportunidade de discutir sobre o seu trabalho, recebendo sugestões e críticas, e pôde também analisar criticamente os demais trabalhos apresentados, como nos moldes do Arthromint (Encontro de Artrópodes e Helmintos realizado há 12 anos no eixo RJ-SP-MG). Vários professores que ministraram conferências no Simpósio organizado pela professora Maria Bélio uma semana antes deste Encontro estiveram presentes, como Cláudia Benjamin, Elvira Saraiva, Dario Zamboni, além de pesquisadores estrangeiros como Fabio Re, da Universidade do Tennessee e Thomas Mitchell da Universidade de Louisville. Tivemos também a participação de Valerie Verhasselt, da Université de Nice-Sophia Antipolis, que apresentou seu trabalho sobre a influência do aleitamento materno na imunidade neonatal, Juan Lafaille, do Skirball Institute, Sérgio Lira, do Immunobiology Center of Mount Sinai School of Medicine (NY), Mauro Teixeira, João Viola, Montchilo Russo, Fernando Bozza e Alberto Nóbrega. Em uma perspectiva filosófica Gustavo Ramos, do grupo de Nelson Vaz, apresentou sobre a fisiologia da inflamação e Dr. Marcio Tavares do Amaral, psicanalista, falou sobre a resistência ativa em um momento de flutuação paradigmática.

Durante a realização do curso tivemos também a oportunidade de fazer sugestões e críticas quanto ao formato do encontro, duração das palestras, entre outros.

Quem não participou, não fique triste, pois a idéia é que este encontro seja bi-anual e o próximo possivelmente será em Ilha Grande (Angra dos Reis). Se animaram??

Ilustração

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Einstein em Sobral ou Sobral em Einstein?

Completar-se-ão amanhã (29 de maio) 90 anos de um experimento fundamental para comprovação da Teoria da Relatividade. Sobral, interior do Ceará, teve um protagonismo mundial.

Veja o artigo de Yanna Guimarães no O Povo: “Era quase meio-dia de uma quinta-feira que parecia ser mais um dia normal. Em Sobral, os 6 mil habitantes faziam suas tarefas corriqueiras. Até que, em pouco mais de uma hora, o sol forte ficou encoberto pela lua e o dia se transformou em noite por cinco minutos. Naquele 29 de maio de 1919, centenas de pessoas correram para as igrejas. Muitas mulheres começaram a bater panelas para espantar os maus espíritos. As grávidas se esconderam com medo de que alguma maldição caísse sobre seus filhos. Parecia o fim do mundo. Aquele 29 de maio ficou marcado para sempre na história da ciência e na história de Sobral, do Ceará e do Brasil.

Enquanto a maioria das pessoas se apavorou com o ocorrido, um grupo de astrofísicos registrava a comprovação de uma das mais brilhantes descobertas de todos os tempos: a Teoria da Relatividade Geral, do alemão Albert Einstein (1879-1955). Mas como isso foi possível? “O que o Einstein previu na teoria é que, se um raio de luz passar perto de um campo gravitacional muito forte, sofrerá uma curvatura. Será atraído. ... E o que isso tem a ver com o eclipse de Sobral? Uma das previsões da Teoria da Relatividade Geral era que a luz de uma estrela, ao passar perto de uma grande massa como o sol, seria desviada. Einstein não só previu esse fenômeno, mas também o valor do ângulo de desvio.

De acordo com o físico José Evangelista Moreira, professor aposentado da Universidade Federal do Ceará (UFC), que trabalha em divulgação científica na Seara da Ciência, na época não havia nenhuma maneira de ver isso a não ser durante um eclipse. “A lua cobre o disco solar e fica escuro. Então você pode ver as estrelas na presença do sol”. Dessa forma, era necessário registrar a posição das estrelas no período da noite e compará-la com a posição das estrelas durante o eclipse, com a presença do sol. “Se tiver uma estrela próximo ao sol, que vai ser visível durante o eclipse, você pode constatar se a luz dela se desviou um pouco e medir esse desvio”.

Duas expedições lideradas pelo astrônomo inglês Arthur Eddington - na Ilha Príncipe (África), para onde ele foi, e em Sobral - foram realizadas para comprovar a teoria de Einstein. Nos dois casos, foi conformado que o cientista alemão estava certo. Aqui no Ceará, as condições de visibilidade foram maiores. Por isso, o próprio Einstein afirmou que “a questão que minha mente formulou foi respondida pelo radiante céu do Brasil”. Como forma de celebrar esse marco da ciência, o Acordo Internacional de Cooperação Científica será assinado nesta semana durante a Conferência Internacional o sol, as estrelas, o universo e a Relatividade Geral”, em Fortaleza. Para quem quiser saber mais, o evento será aberto ao público.

Veja um relato muito interessante: Testing relativity from the 1919 eclipse— a question of bias.

Para voltar ao título. Einstein não esteve em Sobral, mas Sobral está em Einstein.

Ilustração do artigo Testing relativity from the 1919 eclipse— a question of bias

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Innate immunity, inflammation and adjuvants: curso/ simpósio internacional

Post de Claudia Brodskyn

Dra. Maria Bellio, Professora do IMPPG da UFRJ coordenou no período de 06 a 09/05 este curso/simpósio sobre imunidade inata, inflamação e adjuvantes. Participaram os alunos de Pós-graduação, sendo a maioria do Rio de Janeiro, mas também estavam presentes estudantes de alguns outros Estados, como a Bahia. Deboracy Prates, Jaqueline França e Sarah Falcão (LIMI e LIP) participaram do curso, o que significa que estávamos muito bem representados. Maria proporcionou um encontro muito produtivo e agradável, porque além do conteúdo científico de excelente qualidade, foi uma grande oportunidade para rever alguns amigos e conhecer outros.

Dentro dos temas principais foram discutidos vários aspectos relevantes e atuais, como sepse, receptores TLR e NLR, asma e alergia, neutrófilos em tripanosomatídeos, imunidade inata, imunomodulação e finalmente vacinas. Estiveram presentes vários professores do Rio de Janeiro, como Cláudia Benjamin, Christina Borja Fidalgo, Julio Scharfstein, George A. DosReis, Marcelo Bozza, Patrícia Bozza, Adriana Bonomo, Chrisitianne Bandeira-Melo, além de Dario Zamboni, Fernando Cunha e João Santana de Ribeirão Preto, Maurício, Rodrigues da UNIFESP, e eu aqui de Salvador. Houve também a participação de pesquisadores estrangeiros como Peter Tobias (The Scripps Institue, Califórnia) que mostrou resultados sobre inflamação na arterioesclerose, onde ocorre o envolvimento de TLR2 na formação da placa. Fabio Re, da Universidade do Tennessee, em Memphis, nos mostrou uma revisão e dados recentes sobre adjuvantes necrose e ativação do inflamassoma NLRP3. Thomas Mitchell da Universidade de Louisville, Kentuchy, mostrou a ação do adjuvante monophosphoryl A ea sinalização via TLR4.

Durante a realização do curso, tive oportunidade de conversar com Maria e propus a ela realizarmos este tipo de curso anualmente, porém, em diferentes Estados. Assim, estamos programando a possibilidade da realização deste curso o ano que vem (2010) em Salvador. Desta forma, nossos alunos poderiam participar e conversar com estes professores e pesquisadores, possibilitando maior troca de informações e idéias. Anotem nas agendas!!!


Ilustração.

Wolfran alpha, nova ferramenta de busca na internet

Post de Diego Santos

Foi lançada neste mês (15/05) uma nova ferramenta de busca, que segundo o seu criador Stephen Wolfram será um marco importante do século 21!


Esta nova ferramenta de busca se chama Wolfram Alpha, e funciona de modo bastante distinto do Google, já que não faz busca por sites, mas sim por informações. Ou seja, quando pergunto qual a taxa de câncer de mama no Brasil, ele responde com o número de mortes por ano, a taxa de mortalidade, entre outras informações importantes.


Caso queira saber como anda as ações das empresas, basta digitar o nome da empresa e em poucos segundos terá um panorama completo sobre a situação financeira desta.


O sistema possibilita fazer busca por tópicos como: matemática, estatística, tempo, genômica, biologia molecular... Em relação à área de biologia molecular, é possível ver a seqüência de aminoácidos da proteína, peso molecular e estrutura. No caso de digitar uma seqüência de nucleotídeos, o Wolfram Alpha informa sobre sua seqüência de aminoácidos e o local nos cromossomas humanos onde podem existir está seqüência.


Wolfram Alpha não veio para competir com o Google, e nem poderia, pois o Google detém 63% do mercado mundial de buscas, possui mais de 20.000 empregados e 18 bilhões de dólares em caixa, e se for o caso, o Google pode criar seu próprio Alpha.


Confesso que ainda estou aprendendo a manusear o Wolfram Alpha, mas estou gostando. Em algumas buscas não obtive sucesso, ou as informações eram precárias. Entretanto, com o passar do tempo, conforme mais informações forem incluídas o programa tende a melhorar.



Fontes:


Revista Newsweek, 25 de Maio de 2009.


http://www81.wolframalpha.com/about.html


Trissomia do 21 e proteção contra câncer

Post de Sérgio Arruda

A trissomia do 21, mais conhecida por Síndrome de Down (SD), descrita por John L. Down em 1862. SD caracteriza-se por ter um cromossomo a mais, o 21. A SD afeta 1 a cada 600 a 1.000 nascidos vivos. A presença total ou parcial do cromossomo 21 resulta em alterações na habilidade cognitiva, mal formações congênitas e aumento de leucemias.

Diferente de indivíduos com 46 cromossomos XX ou XY, indivíduos com SD tem uma baixa frequencia de tumores sólidos, segundo relatado em artigo do Archives of Internal Medicine. Há bastante tempo pesquisadores buscam respostas para essa “proteção” que os portadores de SD possuem contra ou ‘inibidoras” de neoplasias malignas sólidas.

Em artigo publicado por Kwan-Hyuck Baek e cols na revista Nature de 20 de Maio os autores conseguiram identificar, entre os 231 genes que estão no cromossomo 21 extra, uma região denominada DSCR1, a possivel candidata para supressão de tumores.

Interessante, essa região codifica uma proteína que suprime VEGF. A presença de uma cópia de DSCR1 em camundongos “modelo animal de SD” inibiu a formação de tumores, atribuida à inibição da angiogênese. Veja o artigo completo.

Business environment ranking

Relatório do Economist Intelligence Unit (de 26/05/09) que contem a ilustração acima:

“The largest emerging markets—Brazil, Russia, India and China (the BRICs)—score relatively poorly. Brazil is the best performer of the four, ranking 39th in the forecast period. China, however, records one of the biggest improvements—a jump in rank by 11 places from 56th in 2004-08 to 45th in 2009-13. This primarily reflects the fact that its economic performance will be so much better than any other country; China moves to first place in the market opportunities category in 2009-13.”

Leia mais.

"Ciência brasileira em novo patamar"

Após a notícia do aumento da produção científica brasileira medida pela Thomson Reuters, surgiram vários artigos tentando reduzir o impacto do anúncio.

Jaqueline Leta escreveu um artigo onde comenta a ampliação da base de revistas na Web of Science como fator para explicar o aumento da produção brasileira: “Em 2007, por uma série de questões, que incluíram uma intensa discussão e negociação de autoridades brasileiras e os responsáveis por esse banco de dados internacional, o número de periódicos latino-americanos nessa base cresceu enormemente..... No caso do Brasil, eram 27 periódicos nacionais indexados em 2007, número que cresceu para 64 em 2008, a maior parte dos quais estão catalogados no portal SciELO.”

Rogerio Meneghini foi mais longe no sue artigo na Folha: “Isso significa que cerca de 80% do aumento de artigos anunciado pelo ministro Haddad advieram de um setor em que o governo federal investe de forma absolutamente inexpressiva: R$ 10 milhões em 2008...”

Chamava a atenção a vontade reduzir a força do anúncio do Ministro Haddad e o papel federal no feito. Colocava-se certa sombra no aumento das revistas brasileiras na base da Web of Science, além de supervalorizar o Scielo (um excelente iniciativa, sem dúvida).

O Ministro Sérgio Rezende em 25/05 também escreveu na Folha de SP sobre o assunto, no artigo que dá título a este post.

“O fato de a nossa ciência ser tão recente é a principal razão para a surpresa da notícia de que o Brasil ultrapassou Rússia e Holanda no ranking de publicações científicas. Mas esse fato não teve comemoração unânime. Logo surgiram os céticos e críticos perscrutadores.

A primeira crítica é que a ciência brasileira não tem o impacto medido pelas citações na mesma proporção dos artigos publicados. Isso é verdade e decorre, dentre outras razões, da pouca tradição de nossa ciência.

Outra crítica, mais forte, foi a descoberta de que o grande aumento da produção de um ano para outro decorreu da ampliação da base da Reuters. O número de revistas brasileiras indexadas passou de 63, em 2007, para 103, em 2008.

No entanto, a Reuters também aumentou a base das revistas indexadas de todos os países, principalmente daqueles fora do núcleo de longa tradição científica. Em todo o mundo, a base passou de 9.000 para mais de 10 mil, e o número total de artigos indexados cresceu de 960 mil, em 2007, para 1,4 milhão, em 2008 -um salto de 49%.

O aumento do número de artigos do Brasil, proporcionalmente maior que o do restante do mundo, vem consolidar uma tendência das três últimas décadas. A contribuição do país na produção mundial, que em 1981 era de 0,44%, hoje é de 2,12%.”


França e Brasil no futebol

Post de Sérgio Arruda.

O ano de 2009 é o Ano da França no Brasil. Uma série de eventos estão sendo e ainda serão realizados em várias cidades brasileiras durante este ano. Ninguém pode negar a influência da cultura francesa no mundo, em especial, também no Brasil.

Os eventos do Ano da França no Brasil tem por objetivo mostrar a cooperação da França com Brasil através de eventos culturais e científicos.

Nessa programação não se incluiu futebol.

Pensando nessa falha do programa, aproveito esse Blog para rever um vídeo da Copa do Mundo de 1958. Para aqueles que gostam de futebol será uma oportunidade de ver um grande momento do futebol brasileiro.

Em 1958, a equipe brasileira era a melhor, (1958 é considerado o ano do grande início do futebol brasileiro). Detalhe, a equipe da época já tinha Pelé e Zagalo e pode ser comparada ao grande time de 1970 (tri campeão do mundo). A seleção de 58, era formada por: Gilmar (goleiro); De Sordi, Bellini, Nilton Santos e Orlando de zagueiros; Zito e Didi no meio-campo e Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo no ataque.

Veja alguns dados sobre aquela copa: 16 países participantes, um total de 35 jogos com 126 gols (3,6 de média) e uma média de público de 24.880 pessoas por jogo.

Em confrontos futebolísticos entre Brasil e França em copas do mundo, o Brasil não tem se saído bem.

Quem não se lembra da final de 1998, quando a França derrotou o Brasil.

Mas voltemos a 1958. Atenção ao ouvir a transmissão: Cupe du Monde é copa do mundo!!

Just Fontaine foi o goleador daquela copa com 13 gols e na final contra o Brasil marcou os dois gols da França.

Antes do início do jogo, os franceses estavam muito confiantes. Tinham o melhor ataque e contavam com Fontaine goleador. Se referiam ao Brasil somente como o time de melhor defesa. Veja o que aconteceu:



No Brasil, ciência ainda não é prioridade

Artigo de Wanderley de Souza publicado no “Jornal do Brasil” (12 de maio):


Todos os indicadores disponíveis apontam para um crescimento da atividade de pesquisa científica e tecnológica no Brasil. Gradualmente, estamos ocupando uma posição de destaque internacional,......

Primeiro, na fase de análise da proposta orçamentária enviada pelo governo, ao invés de se ampliar o orçamento sugerido pelo executivo, como foi feito várias vezes no passado recente, ampliaram-se despesas em vários setores onde a repercussão eleitoral é mais imediata e reduziu-se o orçamento do MCT de R$ 5,1 bilhões para R$ 4, 21 bilhões. Logo, um corte da ordem de quase R$ 1 bilhão.


Como se esta redução fosse pequena, agora o Decreto 6.808 de trinta de março último faz mais um corte, e passa o orçamento para R$ 3,93 bilhões. O quadro é ainda mais preocupante, uma vez que parcela significativa do orçamento do MCT é proveniente dos Fundos Setoriais, sendo o Fundo do Petróleo o mais importante.


Em consequência da redução do valor do barril de petróleo no mercado internacional, setores da economia fluminense, onde esta área predomina no Brasil, já apontam para uma redução de cerca de 35% nos recursos oriundos dos royalties, afetando assim o volume de recursos globais dos fundos setoriais.


Tudo isto coloca a atividade científica em situação instável. Vários dirigentes de grupos de pesquisa já manifestam, por enquanto nos corredores de suas instituições, uma certa perplexidade. É fundamental que ocorra uma mobilização da comunidade científica no sentido de se mostrar aos poderes executivo e legislativo e a sociedade em geral, a necessidade que o país prossiga no plano de fortalecimento da Ciência brasileira.


Leia o artigo completo.

Instituto de Química da UFBA fechado: a quem interessa?

Artigo de Caio Castilho

Nesta quinta feira, 21 de maio, o Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (IQ-UFBA) completa dois meses de interdição, após um incêndio que ocorreu em parte do último andar do prédio com cinco pavimentos.


Desde então, poucas providências práticas foram tomadas: inicial interdição completa para o acesso de pessoas, seguida de um acesso controlado onde o ingressante deve assinar termo de responsabilidade por desejar entrar em ambiente tido como inóspito, escoramento de porções da estrutura do quarto e quinto andares, recuperação das calhas para águas pluviais que haviam sido parcialmente danificadas e uma ainda não concluída limpeza dos restos da queima.


O acesso controlado destina-se apenas a estudantes e pesquisadores, pois os vigilantes e até os funcionários do IQ circulam e permanecem no prédio sem maior controle. Seriam mais imunes ao alardeado ambiente inóspito?


Nada ainda foi sequer iniciado visando restabelecer o funcionamento da rede elétrica. Com a excessiva umidade atual, o mofo começa a se propagar de modo generalizado. Os equipamentos não se encontram em condições mínimas de conservação, alguns já claramente danificados. Não se tem ainda um calendário para a efetiva implementação das providências práticas efetivas.

Leia mais.


Pacientes e patologistas contra patente de gens

No dia 12 de maio, uma paciente com diagnóstico de câncer de mama entrou com um processo contra uma companhia e o Escritório de Patentes dos EEUU para reverter o patenteamento de um gen, segundo notícia do New York Times. Outros quatro pacientes com câncer, organizações profissionais de patologistas também assinaram a causa.

Há mais de 10 anos, o Escritório de Patentes concedeu uma patente dos gens associados aos risco aumentado de cancer de mama e de ovário à uma única companhia, a Myriad Genetics.

Pelo que se sabe, é a primeira causa contra o patenteamento de gens e foi organizada pela American Civil Liberties Union.

Leia mais da notícia no New York Times.


Scientists Without Borders

Dear Scientists Without Borders members and users,

It is the one-year anniversary of the launch of the
Scientists Without Borders web portal, which set in motion the innovative and groundbreaking effort to mobilize and coordinate science-based activities and resources directed at improving the quality of life in the developing world. With your participation, over the last year we have established a great foundation for the initiative. I wanted to take the opportunity of this milestone to tell you about some of the new developments on the website, to update you on our progress, and remind you how you can help to continue the growth of the Scientists Without Borders community.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Qual deveria ser a principal preocupação com a gripe?

Texto do Dr. Esper Kallas

Quando o assunto é gripe, historiadores e cientistas nos fazem relembrar o cenário dantesco causado pela chamada Gripe Espanhola, que assolou a humanidade no início do século 20. Naquela época, a doença se espalhou para todos os cantos do mundo e deixou, em estimativas imprecisas, algo que pode estar entre 20 e 100 milhões de mortos.

Muitos suspeitam que aquela cepa de influenza, que levou a taxas estimadas de mortalidade ao redor de 2% dos infectados, possuía características que a tornaria “hipervirulenta”, levando a um quadro de rápida insuficiência respiratória, em consequência da síndrome de angústia respiratória do adulto (também conhecida como “pulmão de choque”). Tudo isso ocasionado por um fenômeno que está sendo batizado de cytokine storm, caracterizado por uma avalanche de citocinas inflamatórias induzidas pelo vírus, principalmente produzidas por macrófagos.

Várias análises mais recentes, entretanto, colocam em questionamento a noção da maior agressividade do vírus influenza daquela epidemia. Em recente artigo, Gupta e cols. culpam a pneumonia como a principal causa das mortes em uma eventual epidemia. A pneumonia bacteriana, como também a sepse associada, acompanha a trilha da gripe. Todos nós sabemos que o influenza abre caminho para uma alteração significativa do trato respiratório, minando as defesas naturais e criando um nicho fértil para ser ocupado por bactérias como o Streptococcus pneumonia, Staphylococcus aureus, entre outras.

Em artigo de 2006, Brundage também evidencia a mesma questão. As ocorrências sazonais e as grandes epidemias têm sua mortalidade fortemente associadas à pneumonia, o que pode ter sido verdade mesmo na epidemia da Gripe Espanhola. Esses dados nos obrigam a reformular estratégias para a melhor abordagem no combate a uma possível grande epidemia, inclusive na eventual disseminação do vírus A (H1N1), que ganhou todos as manchetes de saúde recentemente.

Muito se falou dos antivirais com atividade contra o influenza disponíveis comercialmente: oseltamivir e zanamivir. O que se viu foi uma corrida às farmácias e a criação de estoques estratégicos por diversos governos. É preciso, entretanto, esclarecermos alguns pontos a respeito dessas medicações. Primeiro, elas não impedem a infecção pelo influenza. Podem, no máximo, diminuir o pico da viremia e reduzir a duração dos sintomas e suas complicações. Segundo, é necessário que sejam administradas precocemente, caso contrário não surtem o efeito desejado. Terceiro, ainda não se conhece a capacidade deste vírus em desenvolver resistência, já documentada em outras ocasiões, inclusive na gripe aviária (Hurt e cols.). Por fim, revisão recente da Colaboração Cochrane questiona o uso dessas drogas em casos de gripe sazonais, ou seja, fora de epidemias, por falta de demonstração de efetividade (Jefferson e cols.). Não há certeza de sua efetividade numa epidemia.

Mais importante, contudo, é assegurar o tratamento adequado das complicações e garantir acesso aos antibióticos e medidas de suporte para o tratamento das pneumonias e suas complicações. Esse, acredito, deveria ser o foco das ações preparatórias para uma eventual epidemia. Basta fazer algumas contas para verificar que o número de pacientes com necessitando de tratamento pode sobrecarregar o sistema de saúde e colocar em risco nossa capacidade em absorver tal demanda.

É preciso lembrar das bactérias como um problema central no combate à gripe, especialmente quando o número de casos atingir centenas de milhares ou milhões.

Gupta RK, George R, Nguyen-Van-Tam JS. Bacterial pneumonia and pandemic influenza planning. Emerg Infect Dis. 14(8):1187-92, 2008.

Brundage JF. Interactions between influenza and bacterial respiratory pathogens: implications for pandemic preparedness. Lancet Infect Dis. 6(5):303-12, 2006.

Hurt AC, Selleck P, Komadina N, Shaw R, Brown L, Barr IG. Susceptibility of highly pathogenic A(H5N1) avian influenza viruses to the neuraminidase inhibitors and adamantanes. Antiviral Res. 73(3):228-31, 2007.

Jefferson TO, Demicheli V, Di Pietrantonj C, Jones M, Rivetti D. Neuraminidase inhibitors for preventing and treating influenza in healthy adults. Cochrane Database Syst Rev. 2006 Jul 19;3:CD001265.

Ilustração.

domingo, 17 de maio de 2009

Mulheres na ciência, situação na Europa

Ao se referir à situação das mulheres em ciência na Europa (14 de maio em Praga) o “comissioner” europeu para pesquisa disse que era como uma pequena mágica: você olha para os postos mais altos da carreira e elas desaparecem, segundo notícia do The Great Beyond.

Para tentar corrigir os problemas a Comissão Européia apresenta algumas medidas indicadas em relatórios específicos, com medidas para facilitar a carreira das mulheres na ciência e uma avaliação da questão de gênero no financiamento.


Veja os relatórios
Women in science and technology - Creating sustainable careers
The Gender Challenge in Research Funding - Assessing the European national scenes

Ilustração

sábado, 16 de maio de 2009

Santiago Ramón y Cajal


Post de Sérgio Arruda
Não é exagero afirmar que a neurociência nasceu em 1887 com Cajal. Aos 35 anos, já médico e professor de anatomia, Cajal teve a oportunidade de examinar lâminas de cérebro impregnadas pela prata trazidas de Paris por um outro professor de psiquiatra. Essas impregnações já eram feitas há algum tempo por Camilo Golgi em Paris.
Ambos, Cajal e Golgi dividiram o prêmio Nobel de Medicina de 1906.
Cajal não só examinou essas lâminas, como também fez suas próprias colorações e observações. Algumas dessas lâminas e desenhos estão nas fotos acima.
Cajal desenvolveu a hipótese que o sistema nervoso era formado por uma rede de células. Ao contrário da teoria sobre o SNC na época, que considerava esse sistema um contínuo.
Só em 1891 as células do sistema nervoso foram denominadas de neurônios.
Cajal, com um microscópio rudimentar, se comparado aos de hoje, publica uma serie de trabalhos científicos e manuais. Publica também um livro que se tornou muito lido por cientistas e estudantes.
Veja a história com mais detalhe e leia também a aula de Cajal na cereimonia de entrega do Prémio (http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1906/cajal-lecture.html)


Santiago Ramón y Cajal nasceu na Espanha em 1852, filho de médico e professor de Anatomia Aplicada. Desde criança demonstrou interesse pela arte de desenhar e foi por incentivo do seu pai que estudou Medicina, formando-se em 1873. Ainda estudante ilustrou um atlas de anatomia que seu pai fez, mas o qual acabou não sendo publicado.
Foi médico das forças armadas espanholas. Em uma expedição a Cuba contraiu malaria e tuberculose.
Em 1875 tornou-se professor assistente da Escola de Medicina e em 1883 obteve o doutorado em Medicina. Em 1887 passou a ser professor de Anatomia Descritiva da Universidade de Valência.
Os estudos descritivos da histomorfologia do sistema nervoso central. Em especial, a descrição histológica do cerebelo, das sinapses entre neurônios, células de Purkinje, medula espinhal e a morfologia da retina foram as maiores contribuições de Cajal. (ver figuras acima)
Camilo Golgi, contemporâneo de Cajal, descobriu que a impregnação pela prata permitia corar células do cérebro. Essa mesma técnica ainda hoje pode ser feita em qualquer laboratório de Patologia. Foi com essa técnica de coloração que Cajal estuda a histomorfologia do SNC e dá inicio a neurociência
Cajal considerava os neurônios “misteriosas borboletas da alma”.
Cajal não só contribui com seus estudos e descrições sobre anatomia, também escreveu um livro muito lido e traduzido “Reglas y consejos sobre investigación científica” (http://www.nootes.org/download?d=0UgWjkkEqic9E)

As frases abaixo foram copiadas deste livro

En Ciencia, como en la vida, el fruto viene siempre después del amor.
El azar afortunado suele ser casi el premio del esfuerzo perseverante.
Puede afirmarse que no hay cuestiones agotadas, sino hombres agotados en las cuestiones.

São definições de Cajal

Contempladores: (biólogos, naturalistas, químicos) Se caracterizan por la contemplación a la naturaleza, aunque solo se fijan en los espectáculos sublimes. Además solo se fijarán especialmente en un tema donde se quedarán estancados.
Bibliófilos o eruditos: Estos se pasan el día entre libros y enciclopedias; viven para su biblioteca que es monumental. Aprenden de memoria para luego contar lo aprendido a sus colegas y dejarlos absortos, aunque en realidad sienten piedad de ellos.
Megalófilos: Son aquellos que simpatizan, estudian, aman su trabajo personal y honran a su país con admirables conquistas pero que abandonan los proyectos y confían más tarde en los milagros. A ellos se les podrían unir los proyectistas que son muy optimistas pero no terminan su trabajo.
Organófilos: Sienten mucho aprecio por los instrumentos de observación y tal es el culto que guardan el laboratorio para evitar que trabajen sin él.
Los descentrados: Son infortunados a quienes circunstancias adversas impusieron oficio inverso a sus indicaciones. Por eso se meten en temas que no se relacionan mucho con su oficio.
Los teorizantes: Son cultos y superiormente dotados pero su pereza puede más que sus aptitudes. Tienen talento para orar, odian el laboratorio y su capacidad para formular hipótesis es buena, aunque a causa de lo citado anteriormente no consiguen grandes logros.
Para terminar el consejo para los principiantes es no fijarse en estos modelos porque también tienen fallos y además muchos.


Tiene 7 apartados enfocados hacia el saber científico del aficionado:

1º CULTURA GENERAL.− El investigador no solo debe tener idea del tema a tratar, sino también de otras materias que se relacionen con éste (Filosofía, Química, Matemáticas, Física...). Pues en realidad la ciencia es todo.
2º ESPECIALIZARSE.− No es necesario tener un exceso de información, incluso puede ser malo porque esta información innecesaria puede dañar la válida.
3º LECTURA ESPECIAL.− Se deben leer documentos y otros libros para saber de lo que se ha investigado, para ello saber otros idiomas (alemán, inglés) porque en estos se ha escrito mucho.
4º ESTUDIO DE LAS MONOGRAFÍAS: Hay que fijarse en los métodos de investigación y en los problemas pendientes, y huir de resúmenes y manuales para centrarnos en obras concretas o en nuevos resúmenes del autor. Pero si no tenemos acceso a monografías, experimentaremos aun arriesgándonos a repetir experimentos.
5º INSPIRACION DE LA NATURALEZA: Mucho se aprende en los libros pero más todavía de la naturaleza, porque en ésta se basan los libros. Además, todo lo natural no se puede plasmar en ningún sitio y la admiración por la ciencia surge por contemplación directa.
6º DOMINIO DE METODOS: Hay que dominar todos los métodos, pero a la hora de investigar se escogerán los más recientes y más difíciles por ser los menos agotados. No importa el tiempo gastado si los métodos y el tiempo gastado son buenos.
7º BUSCA DEL HECHO NUEVO: Una vez alcanzado el primer descubrimiento se siguen otros derivados. No hay ninguna razón por la que a éstos se llega, es solo por intento de provocar la casualidad, el azar y todos los logros han sido por eso. Por último, si hay dos hechos iguales, hay que elegir el de metodología conocida y el de mayor simpatía. Y mayor aún si sentimos placer o utilidad hacia tal hecho.

Referências
Cajal-Lecture in Nobel Prize Ceremony
a) http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1906/cajal-lecture.html
Consejos Científicos....
b) http://www.nootes.org/download?d=0UgWjkkEqic9E
c) Bibliografia de Cajal
REV ESP PATOL 2002; Vol 35, n.º 4: 453-460

Foto: Desenhos de Ramón y Cajal: Células de Purkinje e da estrutura do Cerebelo

Serial worker: o homem que alimenta robots


Um artigo do Liberation (23 fevereiro, pag. 32) em fevereiro usou esta denominação, se referindo ao delírio da religião tecnológica. Este delírio levou a um figura nova nos tempos modernos (chaplinianamente) um trabalhador usado, passado de época...
A expressão havia sido usada por Jean-Pierre Mercier, delegado sindical da Central Geral de Trabalhadores (CGT) e militante da Luta Operária.
Jean-Pierre usou a expressão «[Il y a] des ouvriers qui donnent à manger aux robots, comme on dit entre nous».
Como será o serial worker no laboratório de pesquisa?

Figura Chaplin Tempos Modernos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Aumento de peso não se deve a pouco exercício

Uma velha dúvida parece ter sido adequadamente tratada. O aumento do peso médio da população. Um estudo recente apresentado no European Congress of Obesity desenvolveu um método inovador para averiguar se o aumento epidêmico de peso se deve mais ao excesso de ingestão ou à redução de atividade física.

O método utiliza uma combinação de relações metabólicas, leis de termodinâmica, dados epidemiológicos e de agricultura. Os pesquisadores concluíram que o aumento de peso se deve quase exclusivamente ao excesso de ingestão calórica. leia mais.

Adiei o retorno aos exercícios, agora preciso determinação para comer menos.

Foto.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Fake journal: Revista científica “falsificada”

Pode parecer impressionante, inacreditável, mas é verdade. A Elsevier (ninguém menos!) aceitou dinheiro da Merck (é isto mesmo, outro peso pesado) para “fabricar” uma revista.

Segundo a reportagem “Merck published fake journal” publicada no The Scientist:

“Merck paid an undisclosed sum to Elsevier to produce several volumes of a publication that had the look of a peer-reviewed medical journal, but contained only reprinted or summarized articles–most of which presented data favorable to Merck products–that appeared to act solely as marketing tools with no disclosure of company sponsorship.”

leia o texto completo.

The Scientist obteve dois números da revista falsificada (ilustração acima), o Australasian Journal of Bone and Joint Medicine. Para surpresa de José Simão, a revista não é paraguaia é da australásia...

No dia 07 de maio, o CEO da Elsevier confirmou a fraude, e admitiu que existiram cinco outras revistas falsificadas e pagas por companhias farmacêuticas. Veja o texto do The Great Beyond:

“Elsevier yesterday said the “fake journal” it published, which came to light in an Australian court case over the drug Vioxx, was one of a series. The publishing company admitted publishing five other “sponsored article compilation publications … that were made to look like journals and lacked the proper disclosures”.

The look-alike journals were funded by pharmaceutical clients including Merck, which is under investigation in the Australian court for improperly marketing drugs including Vioxx (see our previous coverage of the allegations and of Merck's defence.).”

Leia mais.

domingo, 10 de maio de 2009

Caminho das Índias: Brasil vs Índia, novela e realidade


Post de Sérgio Arruda

A Rede Globo transmite diariamente para todo Brasil a telenovela, Caminho das Índias, escrita por Glória Perez. São os protagonistas mais destacados; Juliana Paes, Rodrigo Lombardi e Marcio Garcia entre outros.


A autora faz uma comparação entre as duas culturas, através de uma trama de romances, bem típico das telenovelas com tramas de amor e traição, casamentos arranjados por dinheiro etc..Com ela, Gloria vai mostrando também as realidades e os costumes dos dois países.


Criticas são varias, mas sem entrar nessa discussão. O rio Ganges é na realidade muito mais poluído e feio do que as cenas mostradas e também a Índia não fala português etc.


Mas a Globo traz a qualidade da produção e o delírio das cores, que vão deixando o púbico brasileiro pelo menos uma hora diariamente assistindo TV.


A Índia está também na nossa história. Quem já não leu que Cabral estava a caminho das Índias quando chegou ao Brasil. Dai se conclui que a Índia já era um país importante quando o Brasil nascia. A Índia era mesmo um país com muita diversidade religiosa cultural e produtora de especiarias. Depois foi colonizada pelos ingleses, só conseguindo sua independência pacífica em 1947.


Mahatma Gandhi, foi o mentor e herói da independência indiana. Para quem está em Salvador tem a oportunidade de ver o Gandhi pelas ruas (bloco Os filhos de Gandhi) desfilando no carnaval.


Hoje o Brasil divide com a Índia, China e Rússia a sigla BRIC. Juntos esses países, em desenvolvimento, perfazem mais de 40% do PIB mundial e crescem mais do que a média. Tiremos a China, e vamos ver quem é quem comparando Brasil e Índia. Isso não dá novela só tabela (acima).


Veja outros dados de produção Cientifica comparada em Gráficos entre paises do BRIC


Em conclusão:

Os dados mostrados são gerais e revelam que Índia e Brasil tem semelhanças, mas as diferenças são também grandes. Destaca-se a diferença populacional da Índia, quase 10 vezes maior que a do Brasil. A renda per capita é muito maior no Brasil, assim como os parâmetros e investimento em saúde são melhores por aqui.


A participação do Brasil no total de publicações é menor, mas temos mais publicações em imunologia, medicina e neurociências e perdemos em engenharia, ciências de materiais e geociências (dados na Sciencewatch). Vale também ler a trabalho de Jorge Guimarães, que compara a produção cientifica entre vários paises. Pelos dados, o Brasil era o 27o em 1981 e passou 18o em 2001, nesse período a Índia perdeu posições. Os dados mais recentes referentes as publicações cientificas brasileiras foram divulgadas pelo MEC e revelam que o Brasil em 2008 passou a ser 13o país em publicações cientificas.

Caminho das Índias é apenas uma telenovela temática que mostra os dois paises. Mas qual é o caminho da Índia e do Brasil para superar as dificuldades econômicas. Esse mesmo caminho talvez, pelo menos já estamos no bloco BRIC e ao largo do “break” da economia mundial.


Nota: Esses dados foram postados apenas para discussão em blog. Para citação cientifica devem ser consultadas as referências abaixo.


Fontes consultadas

http://www.who.int/en/

a1) http://www.who.int/countries/bra/en/

a2) http://www.who.int/countries/ind/en/


www.sciencewatch.com


b1) http://sciencewatch.com/dr/sci/09/may3-09_2/

b2) http://sciencewatch.com/dr/sci/09/apr5-09_2/


www.oecd.org


c1) http://stats.oecd.org/wbos/viewhtml.aspx?queryname=18185&querytype=view&lang=en

c2) http://stats.oecd.org/wbos/viewhtml.aspx?queryname=18185&querytype=view&lang=en


sábado, 9 de maio de 2009

Tecnologia brasileira adotada como padrão internacional na TV digital

Walter Pinheiro, Deputado Federal licenciado e atual Secretário de Planejamento da Bahia, enviou a notícia abaixo sobre um grande feito da tecnologia nacional. Ele estava genuinamente emocionado: “ESTA NÃO É UMA CONQUISTA QUALQUER, NEM TÃO POUCO TRATA-SE DE UMA CAUSA PESSOAL. É UMA VITÓRIA DE UM PAÍS. COMO É BOM VER ALGO TÃO DECISIVO NO CENÁRIO DE TECNOLOGIA MUNDIAL, BASTANTE FECHADO, PRODUZIDO PELO NOSSO POVO.
SE NOSSA IMPRENSA FOSSE .... AS CAPAS DE JORNAIS, OS TELEJORNAIS E ATÉ O 'DOMINGO' TROCARIA DANÇA DE FAMOSOS, TRANSMISSÃO DE JOGOS DE FUTEBOL E O FANTÁSTICO GANHARIA 'GINGA'.
FICO FELIZ POIS NOSSA LUTA NÃO FOI EM VÃO. VALEU LUIZ, VALEU UNIVERSIDADE BRASILEIRA. "NÓS PODEMOS MUITO, NÓS PODEMOS MAIS..." GONZAGUINHA.”


Pinheiro se referia à mensagem do Prof. Luiz Fernando Gomes Soares da PUC-Rio / Depto. de Informática: “Quando foi preciso vocês estiveram presentes. Acreditaram quando poucos acreditavam. Se tudo deu certo, a "culpa" é de vocês. Agora, a vitória é também de vocês.”


NCL e Ginga-NCL são aprovados como padrão internacional UIT-T


No dia 29/04/2009, a linguagem NCL e seu ambiente de apresentação Ginga-NCL,tecnologias genuinamente nacionais criadas para oferecer interatividade plena em sistemas de TV Digital, foram aprovados como padrão pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão de padronização e regulamentação em telecomunicações ligado às Nações Unidas.


A nova Recomendação H.761 "Nested Context Language (NCL) and Ginga-NCL for IPTV Services" define a linguagem NCL como padrão UIT-T para a construção de aplicações multimídia destinadas ao ambiente de TV interativa. Além de definir a linguagem NCL, a recomendação descreve os requisitos para a construção da máquina de apresentação Ginga-NCL, responsável pela exibição e controle de aplicações NCL. NCL e Ginga-NCL são tecnologias de propriedade intelectual da PUC-Rio, resultados de pesquisas realizadas no Laboratório TeleMídia de seu Departamento de Informática, financiadas pela FINEP e RNP a partir das ações estratégicas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e do Ministério de Telecomunicações (MC).


Tal esforço de padronização se iniciou há quase dois anos, quando pesquisadores brasileiros presentes às primeiras reuniões do então chamado "focus group on IPTV" foram convidados por delegados japoneses a apresentar a arquitetura Ginga do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre. A partir de então, pesquisadores da PUC-Rio vem participando das delegações brasileiras organizadas pela Anatel, para a defesa da proposta brasileira junto aos delegados da UIT-T no "study group 16 - codificação, sistemas e aplicações multimídia".


A Recomendação H.761 representa um marco na evolução tecnológica do país, pois trata-se de um documento aprovado a partir de uma proposta integralmente brasileira, descrevendo uma tecnologia genuinamente nacional. Com a padronização, operadores de telecomunicações e radiodifusores de todo o mundo podem adotar uma tecnologia madura e bem definida, de forma interoperável entre os diversos provedores de conteúdo interativo. Fabricantes de receptores DTV podem desenvolver seus produtos seguindo as normas estabelecidas e permitindo sua comercialização para múltiplas redes e múltiplos mercados. Ginga-NCL é o primeiro framework de aplicações multimídia para serviços IPTV aprovado pela UIT-T.


Imagem

ResearcherID

Está cada vez mais difícil encontrar com precisão os trabalhos científicos de um determinado pesquisador. Nomes idênticos, publicações com pequenas alterações no nome do mesmo pesquisador e outras situações semelhantes tornam a tarefa bastante difícil. Algumas vezes até o próprio pesquisador pode falhar. Esta dificuldade foi salientada num artigo do LancetResearcher identification: the right needle in the haystack” (Vol 371:2152 June 28, 2008).

O sistema do CV Lattes já faz isto, mas inclui basicamente os brasileiros. Em 2008, a Thomson Reuters (a empresa do Institute of Scientific Information - ISI) lançou o ResearcherID, com a idéia de facilitar o encontro da agulha no palheiro.

Os autores do artigo do Lancet (Jochen W L Cals e Daniel Kotz) recomendavam aos pesquisadores que se inscrevessem no Researcher ID. Esta mesma recomendação foi repetida por Martin Enserink em artigo da Science (Are You Ready to Become a Number? Science 323:1662-1664, 2009).

Eu já fiz o meu.

Assinado,

B-3904-2009